Novo sistema solar com 5 sóis é encontrado
Guilherme Lucas
Em julho de 2015, astrônomos britânicos da Open University descobriram um sistema solar com cinco sóis na constelação da Ursa Maior, duas estrelas binárias e uma simples, um agrupamento extremamente raro segundo os cientistas. De acordo com os estudiosos, cerca de um terço das estrelas são encontradas em pares ou em vários sistemas, mas nunca uma ligação de cinco delas.
A descoberta, que está a 250 mil anos-luz da Terra, foi anunciada no Encontro Nacional de Astronomia em Llandudno, País de Gales, pelo cientista Marcus Lohr da mesma Universidade e só foi possível graças ao uso de telescópios relativamente pequenos e de baixo custo que operavam constantemente nos dois hemisférios da Terra – um nas Ilhas Canárias e outro na África do Sul – conseguindo captar quase todo o céu em poucos minutos. As medições do brilho das estrelas individuais eram feitas através das curvas de luz e além de proporcionarem descobertas desse gênero, estas também são usadas para encontrar estrelas binárias que orbitam em torno de seu próprio centro de gravidade.
Os dois pares que orbitam estão desprendidos por cerca de 21 bilhões de quilômetros. Essa distância é maior que a orbita de Plutão em torno do nosso Sol. Cientistas ficaram admirados ao se depararem com uma quinta estrela a 2 bilhões de quilômetros de um dos grupos. Dentre todas as estralas do universo, mais de 80% poderiam ser parte de sistemas binários ou múltiplos. Entretanto, este é o primeiro sistema encontrado com essa configuração específica, com duas binárias que orbitam e uma quinta estrela aditiva.
Apesar do impacto e curiosidade que essa descoberta pode trazer, para Alex Cavaliéri Carciofi, cientista e professor de astronomia na Universidade de São Paulo (USP), “o impacto na astronomia será provavelmente pequeno, pois sistemas estelares múltiplos, que possuem 3 ou 4 estrelas orbitando entre si, são bastante conhecidos. O que diferencia esta descoberta é que este é o primeiro sistema quíntuplo a ser identificado”. Segundo ele, trata-se mais de uma descoberta curiosa, que excita nossa imaginação ao tentarmos idealizar como seria habitar um planeta pertencente a esse sistema, porque em determinado momento poderia haver até cinco sóis no céu, com cores, brilhos e tamanhos diferentes, como também afirma Lohr.
Entretanto, o professor da USP revela que as grandes descobertas são necessariamente alimentadas pelas descobertas menores, e sob este ponto de vista todo pequeno avanço científico é relevante. “Como é frequente no mundo acadêmico, a maioria das descobertas impacta, quando muito, apenas a área do conhecimento em questão. Poucas são as descobertas cujo impacto extravasa para outras áreas do conhecimento, gerando aplicações práticas para a sociedade”, explica ele.
O cientista britânico ainda comenta esse sistema além de incomum pode conter planetas ou mesmo abrigar vida. "Trata-se de um sistema verdadeiramente exótico. Em princípio, não há razão para que ele não contenha planetas. Habitantes teriam um céu capaz de botar os produtores de Guerra nas Estrelas no chinelo", brinca, referindo-se às paisagens fantásticas da série de filmes de ficção científica.
Apesar de conviverem com sistemas de produção distintos e que mantêm as suas especificidades, jornalistas e pesquisadores ao buscarem uma parceria do conhecimento científico tem produzido conteúdo além da notícia. De acordo com Carciofi, a astronomia tem uma boa cobertura da mídia, quando comparada a outras áreas do conhecimento. Isto, segundo ele, se deve provavelmente ao fato de que nos últimos anos a astronomia foi um campo científico vibrante, com descobertas muito importantes e impactantes sendo feitas com frequência.
Para o cientista brasileiro, ter uma cobertura jornalística constante é relevante “principalmente porque nos próximos anos esperamos grandes descobertas em várias áreas da astronomia, como resultado de expressivos investimentos em novos equipamentos. Para dar dois exemplos cito o telescópio LSST (Large Synoptic Survey Telescope) que, quando concluído, abrigará a maior câmera digital já feita pelo homem, com 3.200 megapixels (tipicamente 2 mil vezes mais pixels que uma câmera comum). O LSST será um telescópio robótico, que operará de forma autônoma, e fará uma imagem de todo o céu observável a cada dois dias. Outro exemplo é o GMT (Great Magellan Telescope) que será o maior telescópio do mundo quando estiver concluído. Seu espelho de 24 metros de diâmetro efetivo abrirá uma nova janela para universo, permitindo a observação direta de exoplanetas, por exemplo. Ambos os projetos citados têm participação brasileira”, explica Carciofi.
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